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É preciso falar o que calo aqui dentro. O meu silêncio grita. Minhas palavras desconexas insistem em fazer sentido. Penso, um emaranhado de coisas. Sem nenhum sentido para os outros. Com total sentido para mim mesma. Talvez por isto só eu me entenda. Talvez esta seja a causa da dificuldade de entender quem não eu. Os outros, pensam como quiser. Eu penso diferente. Mas de uma maneira igualmente confusa para os demais. E no meio de todas as palavras que me atormentam, quase todas fazem sentido. Um fundamento. Uma paixão. Um sentido para a minha vida e quem sabe até das vidas daqueles que não têm sentido. Sem pontos. Sem vírgulas. Sem nexo. Com pretensão. Não de mudar o mundo. Não de transformar as coisas. Mas simplesmente com a pretensão de voar como borboletas coloridas ao vento. Minhas palavras falam os devaneios dos outros, não só os meus. Cacos para serem juntados como quiser. Interpretados à sua maneira. Quando saem, não são mais minhas. São senso comum. Minhas, são as interpretações e as intenções. Quase sempre muito boas. Mas nada além querem da vida do que voar. Pousar num coração tranquilo de alguém que entenda a poesia da vida e repousar.

"Eu quero ficar perto de tudo o que acho certo, até o dia em que eu mudar de opinião".
(Coisas que eu sei - Danni Carlos)

"...Dose de maldade, dose de coragem. Coragem pra dizer o que pensa, pra revelar o que sente, pra contar segredos, pra acreditar na vida e num novo amor. E dá-lhe dose de saudade para os que querem sentar no banco da praça e lamentar a vida. Dose de humor pra quem faz da vida uma grande e verdadeira piada. Dose de orgulho pra quem não quer dar o braço a torcer e finge seguir a vida como se nada tivesse acontecido. E no meio da bebedeira, antes mesmo da saideira, garçom, desce mais uma dose. Uma dose de maldade pra quem ainda é inocente. Uma dose de risco pra quem ainda não aprendeu arriscar a vida. Desce garçom, só mais uma. Só mais outra. Se não tiver do que preciso beber, invente. Mas não me deixe sem saciar a minha vontade de me embriagar do que preciso pra continuar vivendo. Desce uma dose de paciência para suportar as incertezas. Uma dose de persistência para continuar lutando ainda que a guerra pareça dura e difícil demais. Mais uma por favor, daquelas que deixam a gente insano e fazendo coisas que nunca imaginamos fazer. Dose de loucura que é a dose das pessoas livres e libertas de verdade..."
P.S: A. L. Tomé (que eu nem conheço, mas conhece meu texto não sei como...rs) me lembrou deste texto. Faz um tempo que escrevi, mas é atual como sempre e resolvi postar um trecho...uma dose.