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Tenho pensado a respeito do amor. Faço isto desde pequena. Agora com mais intensidade que antes, admito. Sempre tive curiosidade para entender o amor. Descubro então o quanto ele é incompreensível. Inexplicável. Tento buscar palavras que o traduzem, é em vão. Confesso que já pensei ter amado e hoje já não sei mais. Seria a medida do amor a comparação? Talvez a gente só descubra quem a gente ama a partir do momento que a gente descobre quem a gente não amou. Ainda assim, a gente pode se enganar de novo. Mas vale o risco que se corre. O que parece amor não o é, de fato, mas pode ser útil para nos ajudar a reconhecê-lo quando ele aparecer. Descubro o que não quero do amor. Assim, descubro o que ele pode me trazer de fato. Não procuro, porque não acho. O amor não está em gavetas, nem esquinas. Encontra-se alguns estilhaçados pelo chão. quebrados. Destruídos. Aprendo que amores acabam. Mas seriam amor? Me dizem o quanto ele é frágil. Outros, o quanto ele é forte e imortal. Duvido de um e de outro. Não me resta regras a não ser viver os meus próprios amores e ver pra onde irão me levar. Me arrastam. Me abandonam. Me fazem voar. Abrem sorrisos. Horizontes. Alegram os dias. Ou deixam meu coração apertado de saudade. Acabam e me fazem acreditar que outros virão. Melhores. Maiores. Merecidamente belos. Enquanto isto, experimento o amor nos beijos que posso dar. Vejo a possibilidade do amor nas trocas de olhares. Sinto o amor num gesto de compreensão e aceitação do que sou. Entendo o amor com admiração. Mas não só isto senão a soma deste com a amizade, com o tesão, com o respeito e a cumplicidade. Não vejo esta junção senão nos filmes que assisto. Perco as referências. São poucas e raras. Mas acredito que possa acontecer, embora não espere por isto. O amor não se espera. Não passa feito um ônibus. Mas é preciso estar atento pra não o perder de vista quando ele passar. É preciso viver o amor paa torná-lo vivo. Sem pressa pra acabar. Sem a expectativa do eterno. Sem a ilusão de perfeição. Somos imperfeitos capazes de amar. Uns melhores que os outros. Alguns no momento certo. Alguns nos desencontros. Mas o amor está à espreita. Mesmo que você não queira ou não acredite, ele vai acontecer. E quando vier, pode não curar as suas doenças mas pode ser um alívio para aqueles que nele não acreditavam mais.
"O amor do amor é não ter vergonha de nenhuma porção de tua linguagem com uma pessoa". (Fabrício Carpinejar)