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Passou a tarde esperando o telefone tocar.
Sentia-se ridícula por isto. Mas a ansiedade era maior que seus 1.65m de altura.
Tentou deixar o telefone de lado.
Fingiu não esperar por aquele som dele tocando ou pelo vibrar de uma nova mensagem.
Sentia-se infantil, coisa que odiava sentir desde pequena.
Era uma adulta. Uma adulta ansiosa e controladora. Uma adulta que não controlada sequer a sua vontade de falar com ele. Não controlava a saudade.
Descontrolada, ligou o som no último volume.
Não lembro bem a música que tocava. Lembro que ela dançou a noite inteira.
Dançou pra esquecer o que não conseguia. E não esqueceu. Apenas dormiu até chegar um novo dia. Um outro dia completamente igual.
Foto: Pedro Moreira