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Foto: José Ferreira
A essência da fé é ir à luta. Descubro que não adianta acreditar sentado numa poltrona. Muito menos rezar o terço sem viver pelo menos um terço do que a vida te propõe do lado de fora. Talvez por isto eu não reze terços, prefira vivê-lo. E olha que apenas um terço não tem me sido suficiente. Quero viver é um inteiro. Não numa sentada, como quem inicia o prece e não pode pará-la no meio. Quero viver por partes, como cada conta. Quero cada segundo. Quero cada queda. Quero cada levantar do chão. Quero comemorar cada detalhe. Quero sofrer cada momento que é pra comemorar cada superação. Quero ir à luta, porque a vida é curta demais e eu não quero passar despercebida. Quero ser notada. Quero fazer barulho. Quero mais do que ela pode me oferecer. E não acredito que o que quero pode cair do céu. É pesado, causa estrago. Preciso eu mesma buscar cada parte, cada coisa que posso carregar. Nem que faça mil viagens, mas irei viver por inteiro tudo aquilo a que me propuser. Me proponho sempre mais. A fé faz isto, desafia. Ela me traz a certeza de que posso além do que tenho feito. Me leva por caminhos diferentes. Me apresenta o novo. Me faz arriscar o medo e quem sabe a vida. Mas acima de tudo, me chama pra viver. Pra sair aí, do lado de fora de dentro de mim. Me faz dançar. Me faz gritar. Me chama pra experimentar a vida. Acredito na fé, por isto acredito na vida. Ou vice-versa. Uma sem a outra não tem graça. Andam juntas que é pra fazer valer a pena. Entre elas, estou eu. Amparada pelos dois lados, mas acima de tudo com muito desejo de viver.