Cremdeuspai

Cremdeuspai de cada dia, porque só tendo um cremdeuspai todo poderoso pra viver o dia-a-dia seja lá como ele for. Cremdeuspai!

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Cremdeuspai de cada dia, porque só tendo um cremdeuspai todo poderoso pra viver o dia-a-dia seja lá como ele for. Cremdeuspai!
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Terra Blog

Arquivo de: Abril 2008, 28

27.04.08

LENTAMENTE

 

Nem sempre dançar conforme a música é a melhor saída. Algumas vezes, o ritmo é rápido demais pra quem precisa dar passos curtos. O fôlego fica ausente quando o gingado é exigente. E a gente perde o rebolado quando os quadris se tornam rígidos diante de tanta flexibilidade. Não estamos acostumados a mudar o ritmo. Seguimos o fluxo desenfreado da vida que não é uma pista de corridas, mas somos todos atletas. Não paramos para dançar, porque não há tempo, mas corremos como quem dança um ritmo de frevo ou como quem corre atrás do trio elétrico. Corremos mesmo, é contra o tempo. Mas tentamos sempre dançar conforme a música, e perdemos o passo. E pisamos no pé. É preciso dançar lentamente. Tentamos não deixar a vida nos levar e, por isto, e nos tornamos levados por ela. Somos mesmo é arrastado pelo turbilhão de coisas que ela nos traz. Feito sucada pendurada atrás de carro em lua de mel. Ficamos no meio do caminho, sem chegar a destino algum. Batendo lata. Batendo cabeça. Fazendo muito barulho por nada. E deixamos de dançar do nosso jeito, nos deixando dançar conforme a aceleração do destino ou do acaso, chame como quiser. Seguimos o fluxo. A opinião dos outros. Deixamos que as coisas aconteçam como quiserem acontecer. Por covardia, chamamos tudo isto de destino e fingimos acreditar que não havia outra saída, seja qualquer lugar que fôssemos. Dançamos sem música, mas de maneira apressada. Mas deveríamos mesmo é aprender a dançar lentamente. Não reparamos ao nosso redor. Não vimos o salão esvaziar. Perdemos o parceiro ao lado que nos tiraria pra dançar. Atropelamos a hora e os acontecimentos. Esperamos por aquilo que não virá. Apressamos aquilo que talvez, nem iria acontecer. Mudamos as cartas do jogo. Trocamos o parceiro da dança sem ao menos chamar seu nome. E a música acaba e não dançamos lentamente. Não nos olhamos nos olhos. Não sentimos o nosso perfume. Não nos entregamos ao parceiro, nem nos deixamos levar. Tentamos arrasta-lo pelo salão da nossa vida, do nosso jeito, do nosso ritmo apressado de sempre. Ele que nos acompanhe. Se não vier, haverá de aparecer outro ou danço sozinha, apressadamente porque há sempre a pressa a me chamar. Não sabemos nossa cor preferida. Não conhecemos o sabor do sorvete que queremos tomar. Nem ao menos sabemos o que queremos, porque não fomos educados a escolher. Embora, o tempo todo estejamos fazendo nossas escolhas. Optamos por algo e descartamos quando não mais prestar. Calçamos o sapato e o tiramos, se nos incomodar a dançar. E nem ao menos vestimos uma saia rodada, porque pouco importa o desenrolar da dança. Não irão prestar atenção nestes detalhes. Não veremos estes detalhes nos outros. A gente segue o fluxo. A gente segue o ritmo sem ao menos ouvi-lo tocar. Dançamos, mas não lentamente. Passa batido o aniversário do melhor amigo. Como passa batido o perfume que o outro usa pra nos agradar. Não temos olfato. Nem paladar. Já desaprendemos a ouvir. Mas ainda insistimos em falar, embora jamais aquilo que sentimos. E falamos de coisas, de fatos, de pessoas. Falamos mal dos outros, raramente bem. Mas falamos quase o tempo todo, sem ninguém pra nos ouvir. Realizamos nosso desejo de estar, muito mais de ter, mas deixamos de ser. Não somos quem somos. Perdemos a chance de ser nós mesmos quase que o tempo todo. Não temos culpa, mas é que não sabemos nos reconhecer. O espelho e os outros, nos mostram a pessoa que fingimos ser e não somos. A dança que dançamos e não a que queríamos dançar. Dance lentamente. No início pode parecer difícil. Não é fácil se entregar nos braços do outro e fechar os olhos. Ou mantê-los abertos como se estivessem fechados. Não é fácil acompanhar o som que a música toca. Muito menos fácil, é seguir o próprio ritmo junto de alguém que tem um ritmo diferente do nosso. É difícil pra gente, tão mal acostumados, repousar nos braços e confiar na música. Mais fácil é ditar as regras. Não percebemos os detalhes. Não sentimos o perfume. Deixamos de curtir o momento pela ansiedade de vê-lo passar. E ele não volta. Nos ensinaram a dançar e nos disseram que podíamos qualquer coisa, desde que fosse dois pra lá e dois pra cá. Mas não nos deram tempo. Era preciso seguir rápido pra música não acabar. Era desnecessário curtir o momento já que mais importante era entrar no ritmo da dança. Dançar lentamente é não se deixar apressar pela ansiedade do depois. É deixar as expectativas de lado. É não esperar pelo olhar do parceiro após a dança, já que enquanto dançam ele só tem olhos pra você. É perceber o salão. É curtir o baile da vida. É se produzir lenta e calmamente para o evento que não tem hora pra acabar. O momento é eterno já que pode ser tão especial que jamais será esquecido. A duração da dança está justamente em dançar lentamente. É no passo que se encontra a magia do ritmo e não o contrário. Dançar lentamente é fazer acontecer o instante. E o instante pode ser agora, basta parar um instante pra sentir a música e dançar mais lentamente.

29 de abril - Dia Internacional da Dança

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  • Postado em 23:48:00