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Foto: Sara Pinheiro
Estranho esta importância que as pessoas ganham depois da ausência. Esta presença insuportável que persiste depois que vão embora. Estes homens que nos largam mas que não desgrudam das nossas lembranças femininas de mulheres abandonadas. Como disse a Martha Medeiros no seu livro "Tudo que eu queria te dizer": "esses homens que nos largam, como ficam importantes depois que somem". Uma importância sem propósito que só somos capazes de dar depois da ausência. É como se o outro, enquanto presente, não merecesse receber de nós este prêmio de ser importante. E como se merecêssemos se importar somente depois da ausência deles. Não devia ser assim, deste jeito. Penso que os homens quando vão embora, devem levar consigo todas as coisas inclusive a presença. Pra mim, a presença da ausência é completamente insuportável. Não aprendi a conviver com alguém que já tivesse ido embora. Os homens da minha vida quando somem, têm que levar toda esta bagagem que já me é inútil ou insuportável. Dispenso ficar com migalhas, rastros e restos do que já foi. Se não levam, jogo pela janela do quarto e estranhamente fico na companhia da ausência, com quem irei aprender a conviver.