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Foto: Bubbles
Acordei de amarelo. Não que tivesse pálida, pelo contrário, estava reluzente. Também não estava muito animada. Mas quando fechava os olhos e pensava numa cor, era o amarelo que me vinha à cabeça. Passei todo o dia de amarelo. Não amarelo nas roupas. Amarela era a minha alma. A minha energia estava vestida de amarelo vivo. Um amarelo de flor que se destaca em meio a tanto verde. Não uma amarelo de girassol que é gritante. Um amarelo silencioso e discreto, mas notável.Estava observadora como o amarelo. Uma sabedoria que não tão intelectual, mas uma sabedoria da arte de saber ouvir. Sabedoria atenta ao redor. O amarelo do discernimento, como já li. Útil exatamente naquelas horas em que é necessário tomar decisões, ainda que seja tomar a decisão de esperar, de acalmar a alma e o espírito. Minha alma está vestida de amarelo. O amarelo que diferencia as coisas essencialmente. O amarelo que dá lucidez em meio à loucura. Mas ainda, o amarelo da criatividade pra driblar a rotina. O amarelo que dá energia suficiente para controlar os ânimos, mas seguir adiante. Pra arriscar desafios, sem agressividade. O amarelo que é o tom exato do dia de hoje. O amarelo do outono que fica até chegar o inverno. Falta pouco!

Era só calçar os sapatos. Não qualquer um. Tinha que ser aquele. Nem era uma cinderela. Nem ele era de cristal. Mas brilhava. Como ela brilhava enquanto tinha ele aos seus pés. Era como se tudo lhe fizesse reverência. Era como se alcançasse uma forma de poder que jamais experimentara descalça. Jamais experimentara com qualquer outro sapato. Não que fosse supertição. Nem acreditava nestas coisas. Mas também, não nasceu para coincidências. Duvidava do acaso. E por isto, passou a acreditar nos sapatos. Confiava nele sua auto-confiança. Era ele no pé, e auto-estima até o fio do cabelo. Pisava firme. Olhava profundo. Encara verdades. Arriscava a sedução. Dançava como se ninguém a visse. Mas jamais perdia qualquer olhar que caia sobre ela. E eram vários. E ela gostava. E provocava conversas. E trocava confidências. Não temia riscos. Ah, aqueles sapatos. Eles eram a porta aberta pra alma dela sair pra fora. Cor de rosa choc. E ela chocava como ele.