| S | T | Q | Q | S | S | D |
|---|---|---|---|---|---|---|
| 1 | ||||||
| 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8 |
| 9 | 10 | 11 | 12 | 13 | 14 | 15 |
| 16 | 17 | 18 | 19 | 20 | 21 | 22 |
| 23 | 24 | 25 | 26 | 27 | 28 | 29 |
| 30 |

Foto: Vieirinha
Olhar. Procurar ao redor. Olhar para tantos os lados, para tantas as coisas. Enxergar além do horizonte. Mas não ver dentro de si mesmo. Procurar por fora o que se encontra tão perto, tão dentro da gente. Olhar as pessoas e não se ver. É que não estamos inteiramente nos outros, nada além de fragmentos do que somos. E não somos partes. Somos por inteiro. Não me encontro em cacos no asfalto, em butecos de esquina, em assobios de pedreiros de construção. Não estou nos amores que estive, nas histórias que vivi, nos beijos apaixonados que já dei. Eles é que estão em mim, tatuados. Estou neles em pedaços, aos poucos, mas não eu. Eu, tal como sou, estou em mim e nada mais. E me ver nem sempre é tão fácil. Há de ter coragem, há te der forças pra passar pro lado de dentro. Arrombar cadiados. Chutar portas. Desatar os nós. Acender a luz nos cantos escuros. Decifrar códigos. Traduzir segredos. Há de ser muito homem ou mulher pra isto. Há de ser pessoa e não somente gente. Porque gente, é todo aquele que se conforma com as coisas vindas de fora. É todo aquele que se encontra em pedaços, em bebidas, paixões em butecos. Pessoa não. Elas se encontram em si mesmas e só depois saem para fora e se vêem em coisas que não sabem o nome, mas que são um pouco do que elas são por inteiro.

"O pior do amor é quando passa".
Lo peor del amor - JOAQUIN SABINA (Espanha)