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Foto: Amanda Com
Não. Eu não me encontro na opinião das pessoas ao meu respeito. Não me reconheço nos meus amigos. Talvez eu veja um pouco de mim. Mas, eu, eu mesma, sou muito além do que podem me representar. Não. Não me sinto nos livros e músicas que ouvi. Nas minhas recordações, nas lembranças que tenho da infância, nas esquinas, bares, amores. Não. Talvez um pouco da minha estória. Talvez. Mas eu, aquilo que sou de verdade, não são estas coisas todas. Penso que parte de mim pode ser tudo isto. Acredito, inclusive, que seja mesmo. Mas sou suficientemente maior pra não caber em pedaços. Não posso me separar para ser inteira, antes o contrário. E inteira mesmo, não estou em nenhum lugar. Se quiser me ver, pode procurar onde quiser, não me encontra. Não é possível que me vejam onde procuram. Acho que por isto, poucos, ou ninguém, me encontrou de verdade. Olham por todos os lados. Me buscam nas linhas que escrevo. Nas coisas que digo, não estou. Estou no silêncio. No silêncio do lado de dentro. Deste lado que quase ninguém vê. Mas eu ouço. Escuto o que tenho a dizer. Mas é preciso silêncio. Solidão talvez. Sou mais-de-dentro que do lado de fora. Deste lado que ninguém vê. Mais-de-dentro que é onde fico. Onde moro. Mais-de-dentro que em qualquer outro lugar.