| S | T | Q | Q | S | S | D |
|---|---|---|---|---|---|---|
| 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | |
| 7 | 8 | 9 | 10 | 11 | 12 | 13 |
| 14 | 15 | 16 | 17 | 18 | 19 | 20 |
| 21 | 22 | 23 | 24 | 25 | 26 | 27 |
| 28 | 29 | 30 | 31 |

Foto: Daniel Oliveira
Se envolver é naturalmente humano. Um ser humano jamais será capaz de relacionar com o outro sem envolvimento. Mas, quanta gente tem medo de se envolver! Penso no quanto isto é estranho, contraditório. É impossível não se envolver diariamente, ainda que não seja de forma amorosa. E se assim é, quanto mais será quando amamos alguém. Nos envolvemos com a forma de olhar, nos envolvemos nos gestos. Nos envolvemos na forma com que o outro fala de si mesmo e da vida. Nos envolvemos com o tom de voz, com a forma com que toca a sua pele ou pega na sua mão. Envolver é o que torna os seres humanos pessoas interessantes. Pessoas e não coisas. Quem não se envolve, coisifica. Deixa de ser gente. Se torna frio como uma estátua de pedra, que pode ser belo como as esculturas gregas mas geladas e sem sensações. Nada paga o coração acelerado, a respiração ofegante dos apaixonados. Isto é paixão. Paixão é envolvimento. Se não fosse, passaria batido, não teria graça. E a gente passaria a vida sozinhos, sem notar ninguém, sem notar nós mesmos. Sem envolvimento não temos graça, não vemos graça. Viver é envolver-se no outro, permitir-se correr o risco de se envolver em vão, embora só seja em vão no se envolver.