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Foto: Daniel Oliveira
Embora fosse homem, jovem ainda, tinha desejos que a maioria dos outros homens também tinham, mas preferiam esconder. Sabemos que todo homem, lá no fundo, sempre quer uma mulher que cuide dele, assim como a sua mãe ou qualquer outra substituta para este cargo tenha feito por ele na infância. José, diferente da maioria que se esconde por trás de máscaras da brutalidade e frieza, assumia este seu desejo enlouquecido por ser amado profundamente por uma mulher. Mais que ser amado por ele, ele queria se perder de amor e se encontrar todas as noites nos braços desta com quem passaria o resto da sua vida. Ela ainda não tinha nome. Não sabia onde morava, nem qual esquina iria encontrar com ela. Sem identidade, sem endereço, mas totalmente pintada na sua imaginação. Olhava amores de revistas e se via no papel daqueles homens. Enxergava também a sua amada no rosto daquelas que se pareciam mais apaixonadas e alegres. Era assim que ele queria sua amada, apaixonada e feliz por tê-lo escolhido amar. Enquanto via revistas e sonhava com ela, quase sempre todas as noites, já amava. Amava como se já estivesse com ela, sem se importar de ainda não tê-la. O que ele sabia é que iria ter e então, já estaria pronto pra viver um amor que desde muito antes já havia nascido dentro dele.