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Foto: Iva Silva
Era como se tudo ao redor caminhasse como um metrô que não parava em qualquer estação. Como um metrô que não parava, que seguia em frente, ia adiante, sem ter tempo para que mais ninguém subisse nele. Era a velocidade da vida passando assim, bem ao lado, sem hora pra esperar. Como se quisesse ser esperada. Não queria. Não passaria toda a sua vida correndo sabe-se lá para onde. Jamais subiria num trem pra sair percorrendo o mundo como se fosse o último segundo de sua vida. Perderia tempo se preciso fosse para perceber os detalhes. Gastaria mais tempo naquilo que a fizesse melhor, que fizesse se sentir melhor. Era melhor assim, parada. Correndo, não enxergava direito, nem mesmo a si mesma. Com a respiração ofegante, não se sente o cheiro das rosas nem se reconhece os espinhos. Machuca-se e pronto, sem ao menos saber porquê. Ali, parada, gastava seu tempo naquilo que acreditava ser importante. Aproveitava seu tempo com o que interessa. Ao lado, tudo passava depressa. Ela permanecia. Não sabia por quanto tempo ficaria ali, ficaria apenas o necessário. O suficiente era o tempo que ela queria ficar onde quisesse, onde bem entendesse. Era assim que se entendia, sem pressa. Era assim que queria gastar seu tempo, aos poucos, como costumava ler seus livros preferidos. Investia na vida, assim como gostava de ler, sem pressa pra acabar.