Cremdeuspai

Cremdeuspai de cada dia, porque só tendo um cremdeuspai todo poderoso pra viver o dia-a-dia seja lá como ele for. Cremdeuspai!

Cremdeuspai

Cremdeuspai de cada dia, porque só tendo um cremdeuspai todo poderoso pra viver o dia-a-dia seja lá como ele for. Cremdeuspai!
<  Novembro 2008  >
S T Q Q S S D
          1 2
3 4 5 6 7 8 9
10 11 12 13 14 15 16
17 18 19 20 21 22 23
24 25 26 27 28 29 30
Buscar
Receba os posts
Terra Blog

Arquivo de: Novembro 2008

11.11.08

HÁ DE TER CORAGEM!

 

 

 

"O correr da vida embrulha tudo.
A vida é assim: esquenta e esfria,
aperta e daí afrouxa,
sossega e depois desinquieta.
O que ela quer da gente é coragem".

Guimarães Rosa

 

  • criado por  P.S criado por P.S
  • Postado em 15:27:07

10.11.08

OLHOS, RISO E BEIJO NA BOCA

 

 

Foto: Shutterstock

A ausência de beijos é reveladora. A presença, confortante. Os beijos de olhos nos olhos, apaixonados, revelam pouco mais que a intimidade entre o casal. O beijo é a cumplicidade, a liberdade de dizer ao outro sem soar sequer uma palavra de que você lhe é inteiro. Um beijo demorado, com sentimento, sem medo de cruzar olhares antes, é sinal de que a sintonia ainda existe, a proximidade é necessária. O silêncio do beijo revela aquilo que ele tem a dizer. O contato dos lábios dizem um pouco mais a respeito disto. Beijos, por isto, falam mais que qualquer frase gravada, que qualquer "eu te amo" dito pela manhã. O amor se revela no silêncio de troca de olhares, dos gestos de carinho e dos beijos na boca. Não qualquer beijo, como aqueles cheios de desejo dados numa noite de micareta. Estes revelam paixão, aquele desejo incontrolável de ir logo para a horizontal pra acontecer um pouco mais. Este beijo não se basta. Não falo destes, falo dos beijos que revelam a intimidade, a admiração entre duas pessoas. Falo de beijos que são suficientemente claros pra dizer tudo aquilo que o que virá depois não será capaz de dizer. O beijo é a história inteira e o sexo é apenas o ponto final, ou de exclamação que, por si só, não pode dizer nada além do que já foi dito. Por isto, os traidores não sabem cruzar olhares em silêncio. Não conseguem beijar na boca aqueles que se reconhecem traidores da pessoa que ama. Esquivam do contato dos lábios e os trocam por abraços longos, aparentemente fraternais mas tão carregados de culpa. O beijo é a tradução do amor. Os olhos que antecedem o beijo e preparam a verdade que virá junto dele, em seguida. O riso que sela a cumplicidade, que revela intimidade e a parceria que pode ser eterna ainda que por aquele momento. Nenhum outro triângulo diz tanto quanto o olhar, o riso e o beijo, assim, um seguido do outro.  Nenhuma dúvida passa despercebido por eles. Nada será mais atraente e envolvente do que isto pode ser. O beijo, não o sexo. O riso e não o abraço. Os olhos nos olhos e não o desviar dos olhos, ainda que feito com charme. Nem o abraço , porque se basta apenas entre os amigos. Só o beijo nos revela a razão de ser de uma relação. Só este momento diz o que o amor tem pra dizer, o resto é qualquer coisa que não seja amor.

  • criado por  P.S criado por P.S
  • Postado em 09:45:04

08.11.08

ENTÃO NASÇA!

 

O que nos deixa interessante nem sempre são o nosso sorriso, o nosso jeito de olhar para o outro. Claro que estes e tantos outros gestos, tantos outros charmes, têm lá o seu valor. Mas definitivamente, não são determinantes para que eu ou você sejamos avaliados como pessoas interessantes. Ser interessante não é ter um corpo do tipo violão, não é ser um cara malhado que tem o carro da moda. Ser interessante não é ser médico e nem advogado. A gente não adquire qualidades que nos deixam interessantes junto com um diploma superior. Uma pessoa interessante não tem idade definida, status de relacionamento solteiro ou casado, tanto faz. Não precisa ser loiro, nem é necessário que seja morena. Nem mesmo as ruivas, mais exóticas, são pessoas mais interessantes que as outras pelo vermelho dos cabelos e sardas na pele. Não fica interessante quem tem dinheiro no bolso, poder no cargo que ocupa. Bobos alegres também não são pessoas mais interessantes que os demais apenas por terem bom humor e serem assim, mais engraçadinhos que a maioria. Confesso que acho atraente um homem bem humorado, um sorriso largo no rosto, mas isto não basta para que um homem seja interessante. Acredito que também não seja suficiente para tornar uma mulher mais interessante que as outras. Ser interessante é meio estranho, aparentemente sem uma definição óbvia. A gente olha pra alguém, conhece um pouco da vida e pronto, logo se vê que é alguém interessante. Diferente de quem fica sentado, com as mãos apoiadas no rosto, esperando o ônibus passar, as pessoas interessantes se levantam e se arriscam a pegar o ônibus errado, adiantar o caminho, pegar uma carona. Os interessantes não esperam muito acontecer, acontecem. E eles não acontecem por que são precipitados, porque querem aparecer ou pela simples e pura ansiedade. É que as pessoas interessantes não perdem tempo com bobagens, não sabem ser desnecessárias na vida. Pessoas interessantes não perdem tempo com o descartável porque não sabem sê-lo. Não passam pela vida murmurando, não lamentam o que já passou, elas enxergam o futuro. E nem são assim, otimistas destemidos e obstinados. As pessoas interessantes que conheço, antes de qualquer coisa, são pessoas que nem eu e você. Choram, riem, sentem medo e sofrem, assim como acontece o tempo todo nas nossas vidas. A diferença de uma pessoa interessante para as demais é que ela não pára no medo ou no sofrimento. Não vêm, um ou outro, como a linha de chegada da sua vida. Não temem a travessia da vida. Não negam o sofrimento que muitas e tantas vezes batem à sua porta. Não fazem como as crianças que ficam do lado de dentro com medo a imaginar quem está batendo. Sabem que quando o sofrimento chega, quando bate à porta, é melhor abrir. Recebem o sofrimento não como troféu, nem mesmo com presença ilustre. Convivem com ele o tempo necessário para retirar dele o que tem de melhor, porque embora não pareça as lágrimas que a gente derrama nos ensina muito mais que os sorrisos que a gente tem dado. Pessoas interessantes sabem o limite que têm que enfrentar. Não se sentem soberanas, imbatíveis. As pessoas interessantes são antes de mais nada pessoas e, portanto, têm todas as mazelas que cada um de nós carrega consigo. Mas não se envergonham de admitir cada uma delas. Não se acomodam com cada um seus medos e fragilidades. Não param a vida. Não cessam de arriscar, enquanto todos os outros temem seguir em frente quando a tristeza aparece. As pessoas interessantes não perdem tempo com perguntas, buscam as respostas. Elas atravessam as pontes da vida numa travessia nem sempre fácil, aliás, pelo contrário, tantas vezes tão difícil, mas atravessam. E nem pensem que sabem o que terão do outro lado, porque na maioria das vezes não fazem a menor idéia do que está por vir. Nenhum de nós tem a mínima idéia disto. Mas, pessoas interessantes, não supõem, fazem acontecer. Não são vítimas, são atores da própria história. Os limites não os torna incapacitados ou limitados, mas apenas os revelam o quanto podem ir além daquilo que aparentemente seria a linha de chegada. Limites são fronteiras, linhas imaginárias que nos permite chegar a um outro mundo, uma nova realidade. Pessoas interessantes não paralisam, não se acovardam e por isto se tornam cada vez mais interessantes do que já podem ser. Não se contentam com o que são, porque sabem que são mais que isto. Nenhuma pessoa é interessante o bastante que não possa ser melhor, e o interessante, é que ninguém sabe mais isto do que as pessoas que nos são interessantes. É isto o que nelas chamam a atenção. Acho que esta vida que têm dentro de si. Talvez, esta capacidade de passar pelo sofrimento dos seus limites de uma maneira leve, não olhando para o problema, muito menos pra dor que sentem, mas atentos às saídas e crentes naquilo que poderão ser de melhor após a travessia desta ponte. Vejo que interessantes não são as pessoas que nunca sofreram. Uma vida interessante não é aquela que jamais conheceu o seu limite, que jamais se arriscou a chegar até ele. Não é interessante aquele que, por medo, não arriscou um novo amor, um novo emprego, um novo olhar a respeito das coisas e das pessoas. Não é interessante quem senta na calçada da vida pra ver as pessoas passarem, lamentando o quão seria bom se tivesse disposição e ânimo para também seguir nesta caminhada. Não é interessante que vive de saudade, quem ainda chora a dor de um amor perdido, de uma pessoa que se foi. Não é interessante carregar a bandeira do sofrimento, mas sim carregar a bandeira de ter passado por ele de uma maneira digna, não dando a ele maior importância do que ele realmente tem. A dor de perder um casamento jamais pode ser a mesma dor de ter perdido um pai ou uma mãe. Pessoas interessantes sabem disto, não dão maior valor às suas tristezas do que elas realmente o têm. E por isto, sentem-se mais fortes do que estas intempéries da vida que sempre irão existir. Pessoas interessantes não tentam evitar o sofrimento, não perdem tempo se poupando das dificuldades, ignorando as pedras que têm em seu caminho. Ao contrário, as pessoas interessantes passam por cada uma delas sabendo exatamente o lugar onde estavam, onde lhe doíam nos pés e vez ou outra tiveram que arrancar dos sapatos aquelas que mais incomodaram. Viram as pedras, sentiram as pedras doerem na sola dos pés, mas nada disto os fez desistir de persistir e continuar a caminhada. Pessoas interessantes não são feias, nem bonitas. Pessoas interessantes não têm olhos verdes ou azuis, nem são altas ou baixas, velhas ou novas. Conheço pessoas interessantes de todos os jeitos, tipos e estado civil. Mas todas elas tinham algo em comum, tiveram a opção de permanecer no conforto do útero e ainda assim preferiram nascer quantas vezes forem necessárias pra poder viver.

  • criado por  P.S criado por P.S
  • Postado em 00:28:58

06.11.08

SOPRO DE DEUS

 

Foto: Brígida Brito

 Eu não sei você, mas o vento me faz bem. Não sei pilotar uma moto, não sei bem que é a minha cara, mas consigo imaginar a sensação de ter o vento no rosto. Arrisco imaginar que não é a agilidade que leva as pessoas a terem moto hoje em dia, é o vento nos cabelos e rosto que fascinam as pessoas e as retira dos carros fechados com ar condicionado. Ar puro. Sopro do vento. É isto que renova as energias de um dia de cansaço, que suaviza o calor que sentimentos nas tardes de verão. O vento, ainda que suave, arranca da gente a tristeza, a maldade. O vento retira o nosso cansaço, acaricia o nosso rosto de uma maneira leve, doce e delicada. Talvez seja por isto que o vento me lembra a infância. O vento me traz recordações das minhas preciosidades que não ficaram para trás. É que elas ficam aqui, guardadas do meu lado de dentro. E quando o vento sopra, ele faz voar cada uma destas preciosidades e elas dançam dentro de mim, transitam em roda como um redomoinho leve e me fazem cócegas enquanto rio como uma criança. O vento no rosto me revela por inteiro. Afasta os cabelos do rosto, fecha os meus olhos, me leva pra tudo aquilo que eu tenho prazer em sentir, ser e viver. Deitada na grama, à beira de uma cachoeira, andando na estrada, numa janela do alto de um prédio, balançando em uma gangorra, não importa. O vento, este mesmo que sopra os dentes de leão e o espalham por todos os lados. Sou como um deles que, quando bate o vento, sopro um pouco de mim por todos os lados e distribuo meu sorriso de agradecimento a Deus por mais uma vez vir tocar o meu rosto.

 

  • criado por  P.S criado por P.S
  • Postado em 16:14:11

04.11.08

VIDA LEVE

Leveza, não apenas o corpo leve. Leveza, nada mais que a mente leve e solta. Uma vida flutuante acima de tudo o que não vale a pena. A leveza de não perder tempo, de não perder o sono, de não cultivar dores de cabeça. Leveza de passar uma tarde dando risada de si mesmo. De perder a hora, de chegar um pouco atrasado. Leveza de comer aquilo que quiser, de ir nos lugares que antes não havia ido. Leveza, não apenas um corpo esbelto. Não apenas ser magro, vestir calça número 36. Leveza da alma, leve como uma pluma branca como asa de um anjo. Serenidade, tranquilidade. Leveza de sentir aquilo que se sente, de viver aquilo que se tem para viver. Leveza é ser solto e às vezes saltitante. É arriscar o riso, permanecer nos abraços o tempo que for preciso. É demorar nas vitórias. É cultivar alegrias. Leveza é saber evitar preocupações, é superar os limites sem que pra isto tenha que se desgastar além das próprias forças. Leveza é a energia necessária e leve para seguir adiante, para olhar adiante sem olhar para trás, sem temer aquilo que está a frente. Leveza é não prever o futuro, nem lamentar o passado. Leveza é o hoje, o agora, o instante que se vive e que dura o tempo que quisermos e desejarmos viver. A vida é leve, o peso que as vezes ela apresenta é justamente tudo aquilo que insistimos em carregar conosco desnecessariamente.

  • criado por  P.S criado por P.S
  • Postado em 14:37:34