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Foto: Brígida Brito
Eu não sei você, mas o vento me faz bem. Não sei pilotar uma moto, não sei bem que é a minha cara, mas consigo imaginar a sensação de ter o vento no rosto. Arrisco imaginar que não é a agilidade que leva as pessoas a terem moto hoje em dia, é o vento nos cabelos e rosto que fascinam as pessoas e as retira dos carros fechados com ar condicionado. Ar puro. Sopro do vento. É isto que renova as energias de um dia de cansaço, que suaviza o calor que sentimentos nas tardes de verão. O vento, ainda que suave, arranca da gente a tristeza, a maldade. O vento retira o nosso cansaço, acaricia o nosso rosto de uma maneira leve, doce e delicada. Talvez seja por isto que o vento me lembra a infância. O vento me traz recordações das minhas preciosidades que não ficaram para trás. É que elas ficam aqui, guardadas do meu lado de dentro. E quando o vento sopra, ele faz voar cada uma destas preciosidades e elas dançam dentro de mim, transitam em roda como um redomoinho leve e me fazem cócegas enquanto rio como uma criança. O vento no rosto me revela por inteiro. Afasta os cabelos do rosto, fecha os meus olhos, me leva pra tudo aquilo que eu tenho prazer em sentir, ser e viver. Deitada na grama, à beira de uma cachoeira, andando na estrada, numa janela do alto de um prédio, balançando em uma gangorra, não importa. O vento, este mesmo que sopra os dentes de leão e o espalham por todos os lados. Sou como um deles que, quando bate o vento, sopro um pouco de mim por todos os lados e distribuo meu sorriso de agradecimento a Deus por mais uma vez vir tocar o meu rosto.