Cremdeuspai

Cremdeuspai de cada dia, porque só tendo um cremdeuspai todo poderoso pra viver o dia-a-dia seja lá como ele for. Cremdeuspai!

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Cremdeuspai de cada dia, porque só tendo um cremdeuspai todo poderoso pra viver o dia-a-dia seja lá como ele for. Cremdeuspai!
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Terra Blog

Arquivo de: Dezembro 2008, 15

15.12.08

ANESTESIA

 

Foto: Bubbles

 

Melhor é a anestesia. Não sofrer, não saber, nada ver. A ausência de sentidos que evita o envolvimento com tudo aquilo que é externo, que foge ao nosso controle. Anestesiados, distantes da dor que nos arranca a paz, que nos tira o sono, que desatina a alma. A dor nos arranca dos nossos desejos, porque enquanto dói tudo o mais parece não ter a menor importância. Não saber é uma forma de evitar o conhecimento do indesejável. Não ver, faz calar a dor que sente o coração. Não sofrer é negar a ligação com o outro, assumir uma força que na realidade somos incapazes de ter. Paralisados, inertes a tudo aquilo que deveria nos fazer mover, sentimo-nos mais seguros pra caminhar pelo caos da vida, tão cheia de improvisos e imprevistos com os quais acabamos tropeçando. Anestesiados, o tropeço perde a força, a queda não nos causa dor, as traições parecem imperceptíveis e os amores ficam pra depois. Assim, acredita-se, sofrem menos os seres humanos, tão frágeis e vulneráveis neste jogo da vida que só tem fim quando acaba. E se não acaba, melhor é estarmos anestesiados diante da violência, da corrupção, dos erros, das traições, das dores e de tudo o que nos leva ao sofrimento, este sentimento tão desconfortável. Não se envolver é a melhor maneira que encontram para se afastar do conhecimento do desagradável. Estamos mal acostumados com o desejo de uma vida ilusória, tão cheia de satisfações às nossas vontades, de mimos que não vivemos mas insistimos em ter. O que foge a esta vida de conto de fadas é negado através da paralisia de nossas ações, este efeito narcotizando que nos inibe dos gestos. Sofro demais, alguém me disse. É um sofrimento de quem lhe poupou o direito a anestesia nos momentos que foi preciso sofrer. Não me privo do direito a sensibilidade. Sou movida ao toque, ao gosto de sentir a vida ao meu redor, pelo meu corpo ainda que vez ou outra isto tenha que se manifestar doído. Prefiro a dor que a delícia de passar pelo fogo sem sentir o calor que este nos causa na pele, porque não sentindo o calor que antecede a queimadura, corro o risco de tornar meu corpo inteiro em chamas e perder a vida pelo simples desejo de me tornar insensível. Prefiro viver a vida por inteiro, passar pelo sofrimento da maneira que ele vier. Caminhar pela vida, por entre as pedras, misturar meus sentimentos aos dos outros, não me acovardar diante dos riscos de uma vida por inteiro. Sofro, talvez até um pouco demais. Mas sofro porque não me permito evitar o toque da vida. Sofro porque a vida me toca, isto me significa e só assim a vida me faz sentido.

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  • Postado em 16:09:09

RETALHOS

 

 

Somos como colchas de retalhos, emendas de lucidez e loucura, amor e ódio, saudade e esperança, medo e coragem. Retalhos que completam os pedaços que somos, que forma o inteiro que pretendemos ser. Inacabados como retalhos que precisam de outros para ser grande, para ser forte, para ser colcha ou agasalho do frio de ser nós mesmos. Retalhos que vêem aos poucos somar a tantos outros. Retalhos de conquistas, de fracassos. Retalhos das dores e das delícias de ser aquilo que somos. Somos uma colcha de retalhos tecida por mãos que não cessam de trabalhar. Vezes mais lentos, outras mais rápidas. Multicolorida, outras tão preto e branco. Esta colcha de retalhos que lhe cobre o peito, que lhe aquece a alma, que lhe abriga o sono. Esta colcha de retalho que me faz companhia o tempo inteiro e que serve de aconchego aos que chegam macio, prontos pra sentir o seu perfume. Somos como a colcha de retalhos, nenhuma igual a outra. Retalhos que vêem do mesmo tecido, mas que ainda assim são tão diferentes. Retalhos tão iguais que se ajuntam a outros, que mudam formas, que mudam estampas da nossa vida e nos dão uma cara nova tão particular. Somos uma colcha de retalhos tecendo vivências em linhas do presente, tecendo planos tão improvisados para o que faremos do futuro. Uma colcha de retalhos, cheia de contradições, de diferenças, de peculiaridades. Colcha de retalhos feita a mão, sem pressa, sem planejamento. Somos como as colchas de retalho, que não sabem o que serão no final, mas não têm a pretensão de ser nada além da construção de si mesmos.

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  • Postado em 14:13:17

PAPEL DE PALHAÇO

 

Foto: Paulo Madeira

Quem acha que todo dia sai um bobo de casa, deve não ter reparado direito nas ruas. Estão todas, cheias de bobos fazendo papel de palhaço diante da vida, perante os outros. Gente que ri da cara da gente, como se tivéssemos com um nariz vermelho na ponta do nariz. Como se houvesse graça ser feito de bobo, quando só se quer ser você mesmo e nada além disto. Papel de palhaço só deveria ser feito por gente disposta a devolver a piada, a arriscar a risada de si mesmo e principalmente dos outros também. Mas este tal papel de bobo, se encaixa em qualquer ser humano com um pouco ou mais de boa vontade, afim de seguir adiante numa vida já de tanta palhaçada. Não tem graça subir ao picadeiro quando todo mundo é palhaço. Se o seu papel é este, lembre que as vezes o outro é tolo de quem você terá que fazer piada.

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  • Postado em 13:39:46