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Foto: Honey/ Olhares.com
Estava chegando o ano novo e ele não podia passar sem que eu o visse. Sentei-me, atenta na calçada. Ficava de olhos bem apertos para não perder nenhum movimento do relógio. Os ponteiros movimentavam devagar. As pessoas não, tinham pressa. Passaram correndo, umas pelas outras. Mal trocavam olhares, preocupadas com seus planos, dietas, presentes de ano novo. Eu não. Estava preocupada com o encontro daqueles dois ponteiros que tinham o poder de recomeçar a minha vida de novo. Eles sim, determinariam a minha vida. Os presentes, os embrulhos, nada disto fazia muita diferença. Eles continuariam, tal como eu os ganhei, depois da virada do ano. Já eu, estaria diferente. Desejava fechar os olhos assim que os ponteiros juntassem. Iria, ao som das batidas do sino da Igreja, fazer a minha prece de ser uma nova criatura. Entregaria a minha vida de coração àquele que eu acredito. O mesmo com quem comemorei o aniversário poucos dias antes do dia de hoje. Mas hoje, quero é virar a página deste ano e recomeçar um novo capítulo. Nele, quero escrever a história que sempre sonhei aqui dentro de mim: mais amigos, mais amor, muita amizade, riso e esperança. Viver esta história de fazer parte de um mundo novo. Ser a esperança de um futuro melhor, e não somente esperar por ele. Fazer a parte que me cabe desta tarefa, conquistar a alegria que boa parte do mundo deseja e sair por aí, espalhando pra quem quiser receber. Os ponteiros estão se aproximando. Mal posso esperar a meia noite, quando depois da minha prece, eu abrir os meus olhos e não apenas ver aquilo que sou, mas enxergar aquilo que posso ser.