Cremdeuspai

Cremdeuspai de cada dia, porque só tendo um cremdeuspai todo poderoso pra viver o dia-a-dia seja lá como ele for. Cremdeuspai!

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Cremdeuspai de cada dia, porque só tendo um cremdeuspai todo poderoso pra viver o dia-a-dia seja lá como ele for. Cremdeuspai!
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Terra Blog

08.11.08

ENTÃO NASÇA!

 

O que nos deixa interessante nem sempre são o nosso sorriso, o nosso jeito de olhar para o outro. Claro que estes e tantos outros gestos, tantos outros charmes, têm lá o seu valor. Mas definitivamente, não são determinantes para que eu ou você sejamos avaliados como pessoas interessantes. Ser interessante não é ter um corpo do tipo violão, não é ser um cara malhado que tem o carro da moda. Ser interessante não é ser médico e nem advogado. A gente não adquire qualidades que nos deixam interessantes junto com um diploma superior. Uma pessoa interessante não tem idade definida, status de relacionamento solteiro ou casado, tanto faz. Não precisa ser loiro, nem é necessário que seja morena. Nem mesmo as ruivas, mais exóticas, são pessoas mais interessantes que as outras pelo vermelho dos cabelos e sardas na pele. Não fica interessante quem tem dinheiro no bolso, poder no cargo que ocupa. Bobos alegres também não são pessoas mais interessantes que os demais apenas por terem bom humor e serem assim, mais engraçadinhos que a maioria. Confesso que acho atraente um homem bem humorado, um sorriso largo no rosto, mas isto não basta para que um homem seja interessante. Acredito que também não seja suficiente para tornar uma mulher mais interessante que as outras. Ser interessante é meio estranho, aparentemente sem uma definição óbvia. A gente olha pra alguém, conhece um pouco da vida e pronto, logo se vê que é alguém interessante. Diferente de quem fica sentado, com as mãos apoiadas no rosto, esperando o ônibus passar, as pessoas interessantes se levantam e se arriscam a pegar o ônibus errado, adiantar o caminho, pegar uma carona. Os interessantes não esperam muito acontecer, acontecem. E eles não acontecem por que são precipitados, porque querem aparecer ou pela simples e pura ansiedade. É que as pessoas interessantes não perdem tempo com bobagens, não sabem ser desnecessárias na vida. Pessoas interessantes não perdem tempo com o descartável porque não sabem sê-lo. Não passam pela vida murmurando, não lamentam o que já passou, elas enxergam o futuro. E nem são assim, otimistas destemidos e obstinados. As pessoas interessantes que conheço, antes de qualquer coisa, são pessoas que nem eu e você. Choram, riem, sentem medo e sofrem, assim como acontece o tempo todo nas nossas vidas. A diferença de uma pessoa interessante para as demais é que ela não pára no medo ou no sofrimento. Não vêm, um ou outro, como a linha de chegada da sua vida. Não temem a travessia da vida. Não negam o sofrimento que muitas e tantas vezes batem à sua porta. Não fazem como as crianças que ficam do lado de dentro com medo a imaginar quem está batendo. Sabem que quando o sofrimento chega, quando bate à porta, é melhor abrir. Recebem o sofrimento não como troféu, nem mesmo com presença ilustre. Convivem com ele o tempo necessário para retirar dele o que tem de melhor, porque embora não pareça as lágrimas que a gente derrama nos ensina muito mais que os sorrisos que a gente tem dado. Pessoas interessantes sabem o limite que têm que enfrentar. Não se sentem soberanas, imbatíveis. As pessoas interessantes são antes de mais nada pessoas e, portanto, têm todas as mazelas que cada um de nós carrega consigo. Mas não se envergonham de admitir cada uma delas. Não se acomodam com cada um seus medos e fragilidades. Não param a vida. Não cessam de arriscar, enquanto todos os outros temem seguir em frente quando a tristeza aparece. As pessoas interessantes não perdem tempo com perguntas, buscam as respostas. Elas atravessam as pontes da vida numa travessia nem sempre fácil, aliás, pelo contrário, tantas vezes tão difícil, mas atravessam. E nem pensem que sabem o que terão do outro lado, porque na maioria das vezes não fazem a menor idéia do que está por vir. Nenhum de nós tem a mínima idéia disto. Mas, pessoas interessantes, não supõem, fazem acontecer. Não são vítimas, são atores da própria história. Os limites não os torna incapacitados ou limitados, mas apenas os revelam o quanto podem ir além daquilo que aparentemente seria a linha de chegada. Limites são fronteiras, linhas imaginárias que nos permite chegar a um outro mundo, uma nova realidade. Pessoas interessantes não paralisam, não se acovardam e por isto se tornam cada vez mais interessantes do que já podem ser. Não se contentam com o que são, porque sabem que são mais que isto. Nenhuma pessoa é interessante o bastante que não possa ser melhor, e o interessante, é que ninguém sabe mais isto do que as pessoas que nos são interessantes. É isto o que nelas chamam a atenção. Acho que esta vida que têm dentro de si. Talvez, esta capacidade de passar pelo sofrimento dos seus limites de uma maneira leve, não olhando para o problema, muito menos pra dor que sentem, mas atentos às saídas e crentes naquilo que poderão ser de melhor após a travessia desta ponte. Vejo que interessantes não são as pessoas que nunca sofreram. Uma vida interessante não é aquela que jamais conheceu o seu limite, que jamais se arriscou a chegar até ele. Não é interessante aquele que, por medo, não arriscou um novo amor, um novo emprego, um novo olhar a respeito das coisas e das pessoas. Não é interessante quem senta na calçada da vida pra ver as pessoas passarem, lamentando o quão seria bom se tivesse disposição e ânimo para também seguir nesta caminhada. Não é interessante que vive de saudade, quem ainda chora a dor de um amor perdido, de uma pessoa que se foi. Não é interessante carregar a bandeira do sofrimento, mas sim carregar a bandeira de ter passado por ele de uma maneira digna, não dando a ele maior importância do que ele realmente tem. A dor de perder um casamento jamais pode ser a mesma dor de ter perdido um pai ou uma mãe. Pessoas interessantes sabem disto, não dão maior valor às suas tristezas do que elas realmente o têm. E por isto, sentem-se mais fortes do que estas intempéries da vida que sempre irão existir. Pessoas interessantes não tentam evitar o sofrimento, não perdem tempo se poupando das dificuldades, ignorando as pedras que têm em seu caminho. Ao contrário, as pessoas interessantes passam por cada uma delas sabendo exatamente o lugar onde estavam, onde lhe doíam nos pés e vez ou outra tiveram que arrancar dos sapatos aquelas que mais incomodaram. Viram as pedras, sentiram as pedras doerem na sola dos pés, mas nada disto os fez desistir de persistir e continuar a caminhada. Pessoas interessantes não são feias, nem bonitas. Pessoas interessantes não têm olhos verdes ou azuis, nem são altas ou baixas, velhas ou novas. Conheço pessoas interessantes de todos os jeitos, tipos e estado civil. Mas todas elas tinham algo em comum, tiveram a opção de permanecer no conforto do útero e ainda assim preferiram nascer quantas vezes forem necessárias pra poder viver.

  • criado por  P.S criado por P.S
  • Postado em 00:28:58
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