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Foto: Peter M. Silva
Eu tranco a porta para as mentiras que não quero ouvir.
Só cabem verdades do meu lado de dentro.
Mas nem tudo está aqui agora.
Há verdades que ficaram do lado de fora de mim mesma.
Não encontro nenhuma delas quando busco.
Verdades entre mentiras, mentiras entre verdades.
Eu tranco a porta para os gritos.
E o silêncio fica do lado de fora.
Ouço minha vontade de dizer tudo aquilo que calo.
Falo coisas que deveria calar aqui dentro.
Saem todas para o lado de fora, não resta nada.
Eu tranco a porta para as coisas.
Do lado de dentro não há objetos, nem móveis.
Mora em mim a convivência doce das lembranças.
O aconchego do amor que sinto.
O desejo do amor que um dia terei.
Do lado de fora de mim fica o que não interessa.
Não deixo entrar o que não importa.
Me importo com o que está aqui dentro.
Deixo entrar o que me agrada.
E nada sai.
Eu tranco em mim todos os meus sonhos.
Tranco em mim as minhas vontades.
Do lado de dentro sou eu mesma, sem disfarces.
Convivo comigo mesma como excelente companhia.
E deixo as janelas abertas que é pra quando você chegar.
criado por P.S
15:17:36